quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E depois da escola? I

Nem só de aulas vive a agenda dos nossos filhos. As atividades extras são bem-vindas, mas com cautela. Eles precisam de ser crianças e de ter tempo para nada fazer.




Que são essenciais ninguém questiona. “As atividades extracurriculares são importantes porque permitem que a criança expanda a sua individualidade e descubra os dons”, explica Isabel Leal, terapeuta de saúde infantil. Todos os modelos escolares de sucesso consideram-nas tão importantes como o plano escolar obrigatório. “É necessário estudar, exercitar a mente, mas também desenvolver disciplinas da expressão e do crescimento da alma. Só com este modelo a vida académica e pessoal cresce feliz e realizada”, explica a terapeuta.

Posição semelhante tem Teresa Vasconcellos, psicóloga clínica infantil. “Quando se fala em atividades extracurriculares é como pensar em dieta. Dieta equilibrada e equilibrante, com ênfase na variedade, mas pessoal, respeitando as características de cada criança.” É bom experimentar o sabor das diferentes práticas. “São como oportunidades que damos aos nossos filhos de fazerem o que gostam de fazer.” Mas também se deve arriscar. “Uma criança tímida na rua e que em casa é divertida pode beneficiar por estar num grupo de teatro pequeno”, aconselha a psicóloga.

Então que atividades escolher? A oferta é muita. Selecionámos algumas para poder decidir em família.

DANÇA COMIGO!
Bruno Cochat começou a dançar com 9 anos e estreou-se no São Carlos aos 13. Aos 18 começou a dar aulas de música e de expressão dramática no Conservatório Nacional em Lisboa. Sabe que o que ensina está mais próximo do coração. “Vejo jovens atores, músicos, bailarinos ou poetas, olhando-os nos olhos. É nos olhos que se encontra o talento, a paixão.” Nas aulas tem consciência que prender a atenção dos pequenos não é tarefa fácil. “Todos os jogos e exercícios são apresentados de forma lúdica, levando os alunos a descobrir per si como ultrapassar as propostas. O único material necessário para as aulas é o Eu”, explica. Bruno gosta particularmente de dar aulas a crianças a partir dos 6 anos, “quando começam os grandes questionamentos”. Talvez porque entenda o que lhes passa na cabeça. O professor vai agora dedicar também tempo aos mais crescidos. “No início do ano letivo inauguro um grupo para adolescentes a partir dos 13 anos, pois é a faixa etária para a qual existe um maior vazio de propostas.” Vai funcionar em horário pós-escolar no Conservatório Nacional, fica a sugestão.
BENEFÍCIOS DOS 0 AOS 12

. Autoestima
. Autoafirmação
. Poder pessoal
. Foco nos momentos de estudo
. Paz interior
. Saúde
. Sensibilidade musical
. Gestão de stress emocional
. Criatividade
. Realização
. Sociabilização
. Expressão verbal e corporal
. Disciplina
. Maturidade grupal

Kiki é o nome por que ficou conhecida nas aulas de balletna Oficina da Dança em Cascais que criou. Depois da licenciatura em Dança, Maria Isabel Roquette começou pelas crianças: “Apercebi-me da cumplicidade na nossa linguagem e do prazer que nos dá.” Reconhece que está a trabalhar com futuros adultos e que os pode tornar melhores. “É maravilhosa a responsabilidade que tenho com aqueles seres, que me seguem de olhos fechados durante 50 minutos, e como contribuo para o bem nas suas vidas”, conta com um brilho no olhar.
A professora de dança clássica divide por idades as pequenas, vestidas e penteadas a rigor, e chama-lhes fadas, sininhos, estrelas, luas, princesas e rainhas. Como se no mundo da fantasia tudo funcionasse melhor. Cada vez mais os especialistas contribuem para esta visão fantástica. “A criança fica mais preparada para o mundo e em adulta pode ter mais opções profissionais e de lazer”, explica a terapeuta Isabel Leal.
Kiki sabe que a dança, além de fazer bem ao corpo e à autoestima, obriga a mente a sincronizar-se com a música para depois equilibrar o emocional. “Liberta-nos de emoções. Distingui-las, senti-las e expô-las faz-nos mais maduros e conscientes de quem somos.” Até num plano maior, o de nos levar a transcender-nos. “Trabalharmos ao nível do imaginário faz com que as crianças sintam para lá do corpo, sonhem, voem, encarnem algo que as ultrapassa.”

MÃOS NA MASSA
Por acaso, ou não, foi num curso de autoconhecimento que Teresa Paço d’Arcos descobriu que era na transcendência e na fantasia que queria trabalhar. Criou a marca Fadas do Arco-Íris e dedica-se, através das artes plásticas, “a consciencializar as crianças para a responsabilidade em cuidar do planeta, a amarem-se a si e aos outros e a criarem um mundo melhor”, explica. 

Teresa aproveita a imaginação dos miúdos – “ainda intocada e, por isso mesmo, um reflexo da alma” – e em conjunto fazem coroas de príncipes e de princesas ou aviões de cartão. É um descobrir de novos mundos através da arte, combinando cores, texturas e materiais. “Nos meus ateliers, uso uma técnica que dá uma liberdade enorme em termos de misturas. Não há limites para a imaginação”, garante. “E o importante é divertirem-se a criar. De contrário, os trabalhos ficam sem alma”, o que acontece quando uma criança é obrigada à prática de atividades de que não gosta. “Não é por a mãe ter querido ser bailarina que deve levar a filha – contrariada – a sê-lo, ou por o pai achar que o ténis é importante  – apesar do filho preferir xadrez – que deve obrigá-lo a ter aulas! Não há atividades certas ou erradas. Há adaptadas ou impostas”, acredita a psicóloga Teresa Vasconcellos.

Daqui.

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